terça-feira, 15 de março de 2011

II

O vento cheira a sangue,
Cheira aos mortos que lutaram
E nós aqui parados pelos que tombaram
Num sonho pálido e exangue.

Fechamos a força da liberdade,
desistimos, não desistimos?
Quem somos nós quando fugimos?
Que é feito da nossa verdade?

Há alguém que nos chama,
Que relembra a nossa vida
A esvair-se, e no sangue que derrama
É terra de sonhos e de lama.
É um amanhã que se suicida.

É tempo de pedras rasgadas,
De sombras desumanizadas,
De partes de nós que se desintegram.
Tempo de vilões que se alegram,
De desesperanças vulgarizadas.

E se canto contigo o sofrimento,
Que saibamos provar das lágrimas salgadas,
Que o mundo está farto de esquecimento
E está farto das nossas vidas caladas.

Levaram-nos as promessas de futuro,
Já suspeitava daquilo que nos vendiam.
E agora somos sobras destinadas
A definhar nas ruas malfadadas.
Geração perdida pelo fogo escuro.

António A.

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